Início : 24/02/2026
3ª e 5ª feiras : 19h30 até 22h30
Carga Horária : 420 horas
Duração : 24 meses
Sua visão sobre cidades mudou desde o início do curso USP Cidades? De que maneira?
Sim, apesar de trabalhar muitos anos de minha vida com desenvolvimento econômico em cidades e conhecer a complexidade da questão, agora depois da experiência do curso, para mim, os conglomerados urbanos passam a ser criaturas mais vivas, com sua imensa complexidade e graus inumeráveis de inter-relações mais visíveis.
O curso fornece as ferramentas necessárias para estudar os fenômenos destas entidades usando diversas áreas do conhecimento humano, algumas que já conhecia e nas quais me aprofundei, outras que conheci e nas quais preciso desenvolver proficiência. Enfim, posso agora me debruçar sobre as cidades e identificar seus atributos a partir de variados aspectos com instrumentos científicos.
Considerando as diversas experiências deste curso, me sinto enriquecida, com abordagens que variaram desde inovadoras perspectivas jurídicas de questões urbanas, a visão econômica da questão urbana, a construção de perspectivas sociais diversas, questões muito além dos aspectos arquitetônicos ou de engenharia, passando pelos grandes problemas da moradia, da água, do transporte, dos movimentos humanos diários na busca de espaço, trabalho e do crescimento econômico.
O curso é transformador do ponto de vista da compreensão da existência do complexo conjunto das questões que envolve o tema “urbano” e acima de tudo, fornece instrumentos de trabalho, análise, projeções e outros. Os professores, com grande conhecimento, oferecem oportunidades para elevar a discussão da gestão pública ao nível de ciência usando todas estas ferramentas.
Este curso é um espaço único para uma visão completa da questão das cidades.
Como você aplica os conhecimentos do curso na sua rotina de trabalho? Pretende aplicar em novos projetos também? Como?
Sou contratada para transformar cidades através do planejamento estratégico e desenvolvimento econômico, para enfrentar o impensável e criar soluções que os profissionais da cidade, que tem problemas, não conseguem encontrar.
Depois de São João 2050 eu e minha equipe tivemos a oportunidade de replicar a experiência do Município 2050, que aprendemos desta equipe de professores, em mais 05 (Cinco) cidades nos anos de 2017 a 2020, foi duríssimo, enfrentamos resistências enormes a mudanças, o medo do novo, o desconhecimento, a inoperância, a falta de recursos, a oposição política injustificada e tantas outras mazelas.
Este curso, a troca de ideias e o acesso a tanta informação me municiou com mais ferramentas, fortaleceu minha crença de que a busca por soluções para os problemas urbanos tem cada vez mais soluções, de que há profissionais brasileiros extremamente capazes de fazer da ciência ferramenta de mudanças que tanto precisamos em cidades por todo o Brasil e que tenho agora como trocar mais informações e trabalhar com eles nestes desafios.
Seu trabalho REVITALIZAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA EM RANCHARIA/SP A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DO PROJETO CHEONGGYECHEON (SEUL, COREIA DO SUL) foi muito elogiado pelos professores. De que maneira ele expressa o que você aprendeu no USP Cidades?
Eu conheci a experiência do projeto CHEONGGYECHEON (SEUL, COREIA DO SUL) durante a aula, através de sugestão da professora. Eu me interessei pelo assunto inicialmente pela curiosidade de entender porque este projeto seria interessante.
Eu me surpreendi com o projeto e os seus resultados e, em função do meu interesse, eu pesquisei, li e estudei todo o material que tive acesso sobre este caso. Isto possibilitou uma análise técnica com maturidade e conhecimento. Mas o mais importante de ter estudado este projeto foi o entendimento de que o que foi feito naquele local poderia ser facilmente adaptado para as nossas realidades locais dependendo apenas da vontade política do gestor e capacitação técnica da sua equipe para pensar em possibilidades.
Sua visão sobre cidades mudou desde o início do curso USP Cidades? De que maneira?
Sim, minha visão sobre as cidades se ampliou significativamente ao longo do curso. O USP Cidades contribuiu para uma compreensão mais integrada do território, considerando de forma articulada os aspectos sociais, ambientais, institucionais e legais do planejamento urbano.
Como você aplica os conhecimentos do curso na sua rotina de trabalho? Pretende aplicar em novos projetos também? Como?
Na minha rotina de trabalho, especialmente no âmbito da gestão pública municipal, consegui aplicar de forma bastante prática os conhecimentos adquiridos, sobretudo nas disciplinas relacionadas à legislação urbanística, meio ambiente e habitação. Esses conteúdos contribuíram diretamente para a análise crítica do zoneamento, do uso e ocupação do solo, dos passivos ambientais urbanos e das políticas urbanas e habitacionais que desenvolvemos aqui na Secretaria de Planejamento Urbano do Município de Arujá.
Embora algumas disciplinas, como gestão urbana e economia, tenham um caráter mais teórico e nem sempre tenham sido imediatamente aplicáveis à minha prática profissional, elas ampliaram minha base conceitual e minha capacidade de leitura do contexto urbano.
Seu trabalho foi muito elogiado pelos professores. De que maneira ele expressa o que você aprendeu no USP Cidades?
O trabalho expressa diretamente os principais aprendizados do curso ao articular teoria e prática, com foco em um problema urbano real. Os estudos de caso que escolhi, junto ao meu grupo, nos diversos trabalhos foram exercícios muito bem sucedidos de absorção do conteúdo. O desenvolvimento do trabalho refletiu a metodologia aprendida no USP Cidades juntamente com os aprendizados que adquiri com a experiência dos meus colegas de grupo.
Sua visão sobre cidades mudou desde o início do curso USP Cidades? De que maneira?
Sem dúvida, a pós em Planejamento e Gestão de Cidades transformou profundamente a forma como enxergo as cidades. Se por muitas vezes antes eu via o território como um conjunto de infraestruturas e políticas relativamente isoladas, hoje compreendo a cidade mais como um organismo vivo, dinâmico e moldado por relações sociais, de decisões e políticas públicas e privadas e lógicas econômicas.
As discussões e temáticas apresentadas ampliaram minha percepção sobre a as relações das diversas temáticas apresentadas: habitação, mobilidade, uso do solo, desenvolvimento econômico, meio ambiente e governança. Passei a entender com mais clareza que nada funciona de forma isolada.
O curso também tornou mais palpável o funcionamento real da gestão urbana e dos processos de planejamento. Conheci programas, metodologias, legislações, atores e profissionais que fazem a transformação urbana acontecer na prática. Hoje tenho plena consciência de que o planejamento urbano é tão complexo quanto imaginava, mas me fez ter a certeza de ser uma temática de grande paixão pessoal e ser meio fundamental e essencial para construir cidades mais inclusivas, verdes, igualitárias e melhores para todos.
Como você aplica os conhecimentos do curso na sua rotina de trabalho? Pretende aplicar em novos projetos também? Como?
Ainda que hoje eu não atue diretamente na área em que a pós, inclusive tenha entrado no propósito de me especializar e ampliar o repertório na área, tenho tentado trazer de forma ressignificada diversos dos aprendizados adquiridos no meu cotidiano.
No meu trabalho atual, os conhecimentos do curso têm me ajudado a compreender melhor estruturas políticas, legislações, diretrizes e viabilidades que impactam projetos arquitetônicos. Isso tem ampliado minha capacidade de defender soluções mais eficientes, integradas ao território e alinhadas às necessidades reais da cidade.
Minha intenção, sem dúvida, é migrar para a área e aplicar os conhecimentos de forma plena. Enquanto isso não acontece, tento incentivar no escritório onde trabalho uma abordagem mais integrada: pensar o projeto além do lote, avaliar impactos urbanos, questionar usos e articulações e trazer sempre o território como referência.
Para novos projetos, pretendo incorporar metodologias aprendidas ao longo do curso: diagnósticos participativos, análise de redes e legislações, leitura de paisagem, construção de cenários prospectivos e revisão crítica de instrumentos urbanísticos.
Seu trabalho foi muito elogiado pelos professores. De que maneira ele expressa o que você aprendeu no USP Cidades?
Acredito que meus trabalhos foram bem avaliados porque expressam exatamente o que o curso busca despertar em nós como acadêmicos, mas também indivíduos: pensamento crítico, postura investigativa e capacidade de articular diferentes dimensões da cidade.
Procuro sempre desenvolver análises que vão além do tema específico, conectando o que aprendemos nas diversas disciplinas e nas trocas com colegas e professores. Sempre tento estruturar os trabalhos com clareza metodológica, articulando diagnóstico, visão de futuro, propostas e fundamentação. Seja em literatura acadêmica (compartilhada em classe ou acervo pessoal), estudos de caso ou experiências práticas.
Mais do que apresentar soluções, procuro mostrar compreensão profunda do território, das dinâmicas socioeconômicas e dos desafios reais da gestão urbana.
Acredito que meus trabalhos refletem não apenas o conteúdo técnico aprendido, mas também a postura interdisciplinar e reflexiva que o USP Cidades incentiva: pensar a cidade de forma humana, estratégica, crítica e transformadora.